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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Encontros mais que encontros_Irradiações_Nova Campina

1º e 2º encontros com a escola de Nova Campina (Duque de Caxias)

Na escola motivámos a passagem de uma passividade a uma acção audiovisual através do deslocamento do olhar e da atenção. Feitas as apresentações de uma câmera de vídeo, de cada um individual e colectivamente e após um exercício de silêncio onde se escutou cachoeira, chuva forte e vozes frágeis ao longe, cada um gravou outro colega,foi gravado e também público assistente às restantes entrevistas_ construímos um registo afectivo no lugar que todos partilham.
No Museu de Arte Moderna estimulámos a passagem de um mero visitante a uma acção seguindo com a pergunta : o que desenharia para colocar em exposição neste Museu depois de ter visitado a colecção? No espaço exterior cada um mostrou criativamente aquilo que gostaria que viesse a integrar a colecção do Museu.

























Museu é o Mundo_Encontro DouAções_MAM|RJ

MUSEU É O MUNDO
No dia 20 de Novembro, dia de Zumbi dos Palmares (Consciência Negra, no Brasil), aconteceu o encontro DouAções no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro com várias actividades, alguns artistas e um grupo de arte educadores da exposição de Hélio Oiticica convidaram todos a vivenciar estas EXPERIÊNCIAS NO LABIRINTO.
Um dos grupos pertencentes à Pimpolhos da Grande Rio (escola de carnaval mirim de Duque de Caxias) veio participar do “Mapa de Afectos, Viagem no Museu” com a artista Virgínia Mota (Proposta do Irradiações do NEEA). Fez-se uma visita à colecção do Museu, contaram-se histórias a partir das memórias individuais. Seguiram-se as propostas partindo da obra e processo de Hélio Oiticica, construindo Bólides e Pinturas Vivas com os Parangolés coloridos.




















quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Comunidades Afectivas_Casa da Arte de Educar de Vila Isabel (Rio de Janeiro)_1ºencontro do Programa Irradiações do NEEA|MAM


O Programa Irradiações é uma extensão do Núcleo de Educação Experimental e Arte do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro às diversas comunidades do estado.

Estas imagens mostram alguns momentos do primeiro encontro da artista Virgínia Mota com um grupo de meninos da Casa da Arte de Educar de Vila Isabel.





Construímos juntos uma Mandala com um Jogo de memórias_Casa| Escola| Caminho até ao Museu| Museu Imaginado














as palavras também dançam

Manoel de Barros


Mundo Pequeno
do livro "O Livro das Ignorãças" - ed. Civilização Brasileira.


I
O mundo meu é pequeno, Senhor.
Tem um rio e um pouco de árvores.
Nossa casa foi feita de costas para o rio.
Formigas recortam roseiras da avó.
Nos fundos do quintal há um menino e suas latas
maravilhosas.
Todas as coisas deste lugar já estão comprometidas
com aves.
Aqui, se o horizonte enrubesce um pouco, os
besouros pensam que estão no incêndio.
Quando o rio está começando um peixe,
Ele me coisa
Ele me rã
Ele me árvore.
De tarde um velho tocará sua flauta para inverter
os ocasos.

II
Conheço de palma os dementes de rio.
Fui amigo do Bugre Felisdônio, de Ignácio Rayzama
e de Rogaciano.
Todos catavam pregos na beira do rio para enfiar
no horizonte.
Um dia encontrei Felisdônio comendo papel nas ruas
de Corumbá.
Me disse que as coisas que não existem são mais
bonitas.

IV
Caçador, nos barrancos, de rãs entardecidas,
Sombra-Boa entardece. Caminha sobre estratos
de um mar extinto. Caminha sobre as conchas
dos caracóis da terra. Certa vez encontrou uma
voz sem boca. Era uma voz pequena e azul. Não
tinha boca mesmo. "Sonora voz de uma concha",
ele disse. Sombra-Boa ainda ouve nestes lugares
conversamentos de gaivotas. E passam navios
caranguejeiros por ele, carregados de lodo.
Sombra-Boa tem hora que entra em pura
decomposição lírica: "Aromas de tomilhos dementam
cigarras." Conversava em Guató, em Português, e em
Pássaro.
Me disse em Iíngua-pássaro: "Anhumas premunem
mulheres grávidas, 3 dias antes do inturgescer".
Sombra-Boa ainda fala de suas descobertas:
"Borboletas de franjas amarelas são fascinadas
por dejectos." Foi sempre um ente abençoado a
garças. Nascera engrandecido de nadezas.

VI
Descobri aos 13 anos que o que me dava prazer nas
leituras não era a beleza das frases, mas a doença delas.
Comuniquei ao Padre Ezequiel, um meu Preceptor, esse gosto esquisito.
Eu pensava que fosse um sujeito escaleno.
- Gostar de fazer defeitos na frase é muito saudável, o Padre me disse.
Ele fez um limpamento em meus receios.
O Padre falou ainda: Manoel, isso não é doença,
pode muito que você carregue para o resto da vida um certo gosto por nadas...
E se riu.
Você não é de bugre? - ele continuou.
Que sim, eu respondi.
Veja que bugre só pega por desvios, não anda em estradas -
Pois é nos desvios que encontra as melhores surpresas e os ariticuns maduros.
Há que apenas saber errar bem o seu idioma.
Esse Padre Ezequiel foi o meu primeiro professor de
gramática.

VI
Toda vez que encontro uma parede
ela me entrega às suas lesmas.
Não sei se isso é uma repetição de mim ou das lesmas.
Não sei se isso é uma repetição das paredes ou de mim.
Estarei incluído nas lesmas ou nas paredes?
Parece que lesma só é uma divulgação de mim.
Penso que dentro de minha casca
não tem um bicho:
Tem um silêncio feroz.
Estico a timidez da minha lesma até gozar na pedra.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Textos Coloridos

O Penteado Novo

de Manuela Ribeiro



O PENTEADO NOVO

Um ovo vaidoso
Quis pôr-se formoso
E entrou no barbeiro.
Sentou-se a um canto
Para grande espanto
Do salão inteiro.

Enquanto esperava
O ovo pensava
No novo penteado.
"Corto-o bem rente?
Estico p'ra frente?
Faço risca ao lado?"

- Venha cá, freguês,
É a sua vez! -
chamou o barbeiro.
Respondeu o ovo:
- Quero um corte novo,
mas lave primeiro.

- Já viu a tolice
daquilo que disse?
Nem lava nem seca!
Não posso fazê-lo!
Não corto o cabelo
A um ovo careca!